Globo debate formas de aumentar exploração do trabalhador

                                 Para economistas escolhidos a dedo para o debate,                                     FGTS é ‘prêmio’ para demitidos

O Globo convidou dois economistas ligados a federações patronais para discutir mudanças na CLT e o “debate” girou em torno de propostas para aumentar a exploração da mão de obra no Brasil.

José Pastore e José Márcio Camargo, muito bem remunerados pelos empresários, defendem o retrocesso nas relações de trabalho e nos direitos da classe trabalhadora sem o menor constrangimento. Parece até que acreditam sinceramente no que dizem.  Segundo eles, só com retirada de direitos dos trabalhadores, ou mudanças na CLT, o país vai crescer.

Só isso explica essa sanha exterminadora da dupla contra a classe trabalhadora. Esquecem que trabalhadores são seres humanos, pessoas com famílias, necessidades, responsabilidades, dramas pessoais e sonhos de melhorar de vida, de ver os filhos estudando mais que eles para um dia terem um padrão de vida melhor, tempo para o lazer, para a família. Esquecem a desigualdade de forças da relação capital-trabalho.

Camargo teve o desplante de dizer que o FGTS é um “prêmio” para os demitidos, que o trabalhador é responsável pela alta rotatividade brasileira e outras atrocidades mais. Convenientemente, ele esqueceu que o fundo foi criado quando o trabalhador perdeu a estabilidade no emprego e que é isso que garante que o trabalhador e sua família sobrevivam enquanto ele não consegue recolocação.

Nem preciso dizer que eles defendem a ampliação da terceirização. É o que todos os neoliberais querem. Acabar com a carteira de trabalho assinada, férias, 13º, FGTS e outras conquistas.

Se as propostas dos “especialistas” fossem colocadas em prática, voltaríamos a ter uma relação de trabalho muito próxima a que tínhamos no século 19, período em que a classe trabalhadora não tinha qualquer direito e proteção social e estava a mercê da “boa vontade” dos patrões em situações muito parecidas com a escravidão.

Não devemos voltar a esse passado trágico, e sim avançar mais na modernização das relações do trabalho, com redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a erradicação do trabalho escravo e infantil, a continuação da recuperação do poder de compra do salário mínimo, que também contribui para aumentar os pisos salariais de muitas categorias, entre outras medidas que nos façam caminhar no sentido de um país mais igualitário e socialmente justo.

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