Valor escancara a agenda do golpe: para os trabalhadores, arrocho. Para os políticos, impunidade

Na capa do Jornal “Valor Econômico” de hoje, o objetivo real do golpe é escancarado sem o menor constrangimento: aprovar um arrocho para a classe trabalhadora, dificultar a concessão e reduzir os valores das aposentadorias, acabar com conquistas sociais e trabalhistas e, claro, aumentar a concentração de renda e garantir a impunidade para os corruptos.

A maioria dos senadores e ministros interinos é investigada por desvios e não está nem um pouco interessada em combater a corrupção. Isso significaria combater a eles mesmos. O que eles querem é manter suas relações espúrias e nada republicanas com o poder econômico que os financiam.

É isso que vi ao bater os olhos na capa do jornal nesta quinta-feira. A primeira notícia mostra que já há em “Brasília” – e não no governo do interino Temer e na base aliada dele no Congresso Nacional – uma grande articulação para anistiar os políticos envolvidos na Operação Lava-Jato. Ou, como disse Romero Jucá na gravação vazada, “a gente põe o Michel e para tudo, delimita onde está”.

A segunda notícia que explicita que o golpe é – como venho dizendo há meses – contra a classe trabalhadora tem o seguinte título: “Reajuste do salário mínimo desde 2008 já CUSTOU R$ 179 bi”. O texto é um ataque frontal a política de valorização do salário mínimo aprovada nos governos Lula e Dilma. A matéria coloca a recuperação dos salários dos mais pobres como um absurdo que “custou” R$ 179 bilhões e que precisa ser contido. O jornal ignorou o fato de que essa política foi mais um passo dos governos petista rumo a distribuição de renda, que significa na prática mais comida na mesa de aposentados e de trabalhadores que ganham apenas o mínimo. Eles realmente não estão interessados no papel do mínimo valorizado na redução drástica da pobreza, muito menos o seu impacto no consumo das famílias e na geração de emprego e renda.

Como dizia Lula, isso não é gasto é investimento: 48 milhões de brasileiros recebem um salário mínimo por mês.

Uma terceira matéria fala da possibilidade de contribuição fixa para a aposentadoria dos trabalhadores rurais, ou seja, se o trabalhador perder a  produção em função de uma seca, por exemplo, terá que pagar o INSS de qualquer jeito. Sobre aumentar a contribuição do agronegócio que fatura bilhões, não há nenhuma palavra.

Os golpistas perderam qualquer vergonha na cara e discutem abertamente formas de evitar que os corruptos sejam punidos e que farão de tudo para acabar com as conquistas dos últimos anos que foram conseguidas com muita luta da classe trabalhadora.

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