Senadores da base de Temer fogem do debate sobre desmonte da CLT

Queremos negociar uma proposta para melhorar a CLT e não retirar direitos conquistados. Se isso não for possível, “vamos construir no Brasil uma greve geral muito, mas muito maior do que foi essa do dia 28 (de abril)”, alertou o companheiro Sérgio Nobre

O Senado convocou uma audiência pública para debater a reforma (desmonte) Trabalhista nesta terça-feira, 16. A sessão foi marcada pela ausência da maioria dos parlamentares da bancada governista – só 16 dos 80 senadores participaram da discussão, a maioria contra a medida que quer rasgar a CLT.  A base de Temer não quis se expor defendendo a nefasta proposta. Por mais que neguem, têm medo de não serem reeleitos em 2018. E nós estamos trabalhando muito para acabar com os planos deles de voltar a Brasília depois das eleições.

Depois de cinco horas de debate em tom formal e cansativo no plenário principal da Casa, onde foi proibido palmas, aconteceu o esperado:  representantes de duas centrais sindicais – CUT, representada pelo companheiro Sérgio Nobre, secretário Geral, e CSB; e ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho), defenderam o arquivamento da proposta e os empresários e/ou prepostos defenderam o fim da CLT.

Sergio foi claro, direto e objetivo: o Congresso Nacional quer “enfiar goela abaixo” reformas que o povo não legitimou nas urnas. O ideal para a classe trabalhadora, disse ele, é retirar as  reformas que estão tramitando e discutir uma proposta de maneira democrática, “só quem pode decidir sobre esse assunto são os trabalhadores e os empresários, numa mesa de negociação legítima”.

O debate que a CUT quer fazer é outro. Queremos discutir política industrial e ajudar os parlamentares a pensar em medidas econômicas que incentivem o país a crescer.

A companheira Gleisi Hoffmann, líder da bancada petista no Senado, foi na mesma linha de defesa do trabalhador. Ela  recordou que, em 12 anos de gestão do PT no governo Federal, foram criados 23 milhões de postos formais de trabalho, “sem precisar retirar nenhum direito da classe trabalhadora”. Segundo ela e nós concordamos 100% com sua exposição, o desemprego não é fruto dos direitos, nem dos salários dos trabalhadores, mas sim consequência de uma crise econômica que se agravou nos últimos 12 meses, após a consolidação do golpe de estado. “Há dez anos o Brasil foi a sexta economia do mundo e a legislação trabalhista era a mesma. Em 2014, entregamos o governo com 4.9% de desemprego. Ou seja, não é a flexibilização da legislação trabalhista que vai fazer com que tenhamos emprego no país. Pelo contrário: é preciso ter renda e dinheiro em circulação”.

Gleisi também desmistificou a ideia que está sendo vendida de que a reforma trabalhista não retira direitos. “O PLC 38/2017 é muito claro e retira direitos, sim! Acaba com horas em deslocamento, dispensa em massa sem negociação coletiva, rescisão por acordo com metade do aviso prévio e multa do FGTS, horas extras se tornam raras, cria obstáculos para equiparação salarial e dificulta o acesso a justiça.”

A senadora conclui destacando as imensas diferenças de renda no Brasil. “Estamos aqui falando de trabalhos precários e de trabalhadores que ganham pouco. Não estamos falando de altos salários. Estamos debatendo aqui a construção de um país com visão de desenvolvimento para todos, com inclusão. É isso que está em jogo nessa discussão na reforma trabalhista e na previdenciária.”

Os defensores da anomalia na sessão de debates temática foram o empresário Antônio Carlos Pipponzi, representante do varejo pela indústria farmacêutica e o bilionário de número 17 no Brasil, segundo a revista Forbes; a advogada Celita Oliveira Sousa, uma ferrenha defensora da terceirização e Ronaldo Nogueira, ministro do Trabalho do governo golpista, que após fazer uma fala inicial embasada em sentimentos e desprovida de dados que comprovem o verdadeiro sentido desta reforma, deixou a mesa principal com a justificativa de que tinham uma viagem ao exterior! Para a bancada de esquerda, o representante do governo desrespeitou a sociedade ao fugir de responder os questionamentos sobre a proposta defendida por Temer.

Sérgio, que ouviu pacientemente os argumentos neoliberais de quem fala sobre medidas perversas sem se ruborizar, fazendo um alerta: “Respeitem os nossos direitos, e não duvidem da nossa capacidade de reagir. Se esta Casa teimar em não ouvir a voz da classe trabalhadora, se insistir nesse caminho de desmonte da legislação trabalhista, vocês podem esperar: nós vamos construir no Brasil uma greve geral muito, mas muito maior do que foi essa do dia 28 (de abril)”.

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por vagnerfreitascut

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