Bolsonaro desconhece necessidade do povo brasileiro, afirma médica

Em entrevista à Agência Internacional de Notícias Prensa Latina publicada nesta quinta-feira (29/11), médica cubana que atuou no Brasil critica o presidente eleito e seu total desconhecimento sobre o programa e as necessidades dos brasileiros
Vi muitas doenças que desapareceram de Cuba há mais de 50 anos; o povo brasileiro está muito precisado; vi pessoas vivendo na rua, pacientes que nunca tiveram um par de sapatos; é incrível como um país com tantos recursos tenha tanta pobreza
A médica Ileana Calderón considerou hoje que os questionamentos do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre os médicos cubanos evidencian desinteresse pelas necessidades do povo brasileiro e desconhecimento sobre a capacidade dos profissionais de Cuba.
‘É uma total falta de respeito, suas críticas carecem de coerência e são infundadas, assegurou a Prensa Latina a doutora oriunda de Santiago de Cuba, que regressou nesta quinta-feira no décimo grupo de colaboradores que prestavam serviços no Brasil.

Afirmou que as declarações de Bolsonaro se contradizem com os critérios dos milhões de pacientes atendidos pelo pessoal médico cubano, e das autoridades de territórios e municípios que exaltaram o trabalho dos profissionais da maior das Antilhas.

Por esse motivo, e pela intenção de Bolsonaro de atacar à saúde pública cubana respaldo a decisão de meu país de não continuar no programa criado em 2013 pela então presidenta brasileira, Dilma Rouseff, ratificou.

De igual modo, reiterou que o mandatário brasileiro não só condicionou a permanência dos médicos cubanos ao Reválida do título e à contratação individual como única via, mas questionou de maneira depreciativa a sua preparação.

Calderón argumentou que durante todos seus anos como parlamentar o agora presidente eleito nunca propôs um projeto para beneficiar seu povo.

Por outra parte, relembrou as mostras de carinho e amor que recebeu na comunidade e centro de saúde onde trabalhava, ao se conhecer sua partida para Cuba.

‘O que sinto é uma mistura de dor e de felicidade; porque muitas pessoas choraram e me pediram que não me fosse; mas ao mesmo tempo regresso a casa, com minha família, meu esposo e filhos.’, acrescentou.

Em seus três anos de serviço no Brasil enfrentou experiências que nunca tinha experimentado em 30 anos de prática profissional 

‘Vi muitas doenças que desapareceram de Cuba há mais de 50 anos; o povo brasileiro está muito precisado; vi pessoas vivendo na rua, pacientes que nunca tiveram um par de sapatos; é incrível como um país com tantos recursos tenha tanta pobreza’, dimensionou.

Referiu que outras problemáticas como os altos índices de drogados, a proliferação do uso de armas de fogo, inclusive pelos meninos, e o alto índice de analfabetismo no país sul americano foram negativas experiências que contrastam com a realidade de sua terra natal.

Portanto, reflexionou que Bolsonaro não trabalha em função dos brasileiros.

Com a chegada nesta quinta-feira de 167 doutores cubanos provenientes do Brasil já são mais de dois mil os colaboradores que regressaram à ilha, dos oito mil e 300 que participavam no programa Mais Médicos no momento da decisão de Cuba de não continuar participando na iniciativa criada por Rousseff.

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por vagnerfreitascut

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