Aécio Neves, a flexibilização da CLT e a prática política das velhas raposas

Em época de eleição, os políticos conservadores prometem mundos e fundos para os/as trabalhadores/as e toda a sociedade. Depois de eleitos, governam para os patrões, de olho no mercado, nos especuladores. Quem perde mais? A classe trabalhadora, a classe média, aqueles que não têm políticos, lobistas, amigos e parentes próximos dos governantes e parlamentares.

Ouvir o Aécio Neves, candidato do PSDB à sucessão presidencial, é uma aula sobre essa prática política antiga e ultrapassada. Fica evidente que os tucanos aprenderam com os coronéis e raposas políticas como Antonio Carlos Magalhães, também conhecido como ACM e Toninho Malvadeza, tudo o que um político honesto e comprometido com os trabalhadores não quer.  ACM, tradicional político de direita baiano, que se especializou em enganar o povo, fez escola no tucanato de todo o País.

Em períodos de disputas eleitorais acirradas como o atual, a ligação umbilical entre o baiano e o PSDB de Aécio, Serra e Alckmin, fica mais evidente do que nunca. A impressão que dá é que nem as seguidas derrotas nas urnas nos últimos doze anos convenceu esse pessoal de que não somos mais um povo desinformado, facilmente manipulável ou um bando de gente desmemoriada.

Mas, Aécio se acha muito esperto. Não tem o menor constrangimento de mudar o conteúdo do discurso ao gosto dos diferentes públicos. Um dos erros primário que  ele comete quando faz isso é desconsiderar o poder das redes sociais nessas eleições. Computador e acesso a internet nos governos do PT se transformaram em produtos de acesso fácil e para todos. E nas redes sociais, os/as brasileiros/as não editam nem tampouco perdoam as maldades sociais das raposas políticas e escancaram seus mal feitos, mentiras, hipocrisias, demagogias.

Foi assim que o Brasil inteiro ficou sabendo que, ao falar para trabalhadores o tucano prometeu manter a política de valorização do salário mínimo e investir na geração de emprego e renda. Já quando fala para empresários em ambientes fechados, se sente mais a vontade entre os seus pares, e reduz a zero seu ímpeto pró-trabalhadores/as. Quando não diz claramente que vai acabar com a política do SM, deixa que Armínio Fraga, presidente do BC na era FHC, afirme claramente que salário causa inflação, que o mínimo está alto demais e que é preciso aumentar o desemprego para melhorar o desempenho da economia etc.

Jamais esqueceremos a explosão de desemprego e informalidade que vitimaram milhões de pais de família nos dois governos de FHC. Jamais esqueceremos que FHC investiu pesado para enfraquecer o salário mínimo, que foi regionalizado, teve o valor real rebaixado e foi separado do piso da Previdência Social.  Jamais esqueceremos que os servidores públicos ficaram dez anos com o salário congelado – nos dois anos em que FHC foi ministro da Fazenda e nos 8 em que foi presidente.

Caro, Aécio. Conhecemos suas práticas políticas, sua opção pelos banqueiros e empresários e o seu total desprezo pela classe trabalhadora, que seus colegas de São Paulo chamam de gente “diferenciada”.

Esqueceu? Nós não. FHC tentou flexibilizar a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, duas vezes. Uma delas em 2001, quando enviou ao Congresso o Projeto de Lei 5.483. O PL flexibilizava o Artigo 618 da CLT, com a intenção clara de atacar o poder de negociação dos sindicatos e acabar com vários  direitos conquistados pela classe trabalhadora depois de muita luta.

Apesar da mobilização da militância cutista e da enorme pressão feita, os parlamentares, liderados por Aécio Neves, que na época era o presidente do Congresso, a proposta foi aprovada. Mas o presidente operário, nordestino e sem curso universitário que eles tanto menosprezaram e nos ajudamos a eleger, Luiz Inácio Lula da Silva, vetou a lei, em abril de 2003, meses após assumir a presidência da República.

Os tucanos já tinham feito outra investida contra os direitos da classe trabalhadora. FHC mandou à Câmara o PL 4302/98, o malfadado Projeto de Terceirização. A eleição de Lula também nos livrou deste maldito projeto. Em agosto de 2003, Lula encaminhou ao Plenário da Câmara o pedido de retirada pelo executivo do Projeto de Terceirização.

FHC deixou de herança para os/as trabalhadores/as um enorme índice de desemprego, salários baixos e trabalhadores desvalorizados. Além disso, meteu a mão nos nossos bolsos quando criou as  tarifas bancárias, que afetam mais os trabalhadores mais humildes – os ricos têm poupança e investimentos e são isentos desse tipo de desconto que só afeta mesmo quem vive de salário contado.

Não adianta vir com promessas, Aécio. Conhecemos suas propostas neoliberais, a favor do mercado, contra a classe trabalhadora. Parafraseando Abraham Lincoln, “você pode enganar a população de um Estado por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todos/as  brasileiros/as por todo o tempo”.

 

 

 

 

 

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